Dr. Edgar Sarmento: varicocele e seu efeito sobre a testosterona em Brasília
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Varicocele e testosterona: o efeito que vai além da fertilidade

7 min de leitura Por Dr. Edgar Sarmento
Dr. Edgar Oliveira Sarmento, Urologista e Andrologista

Dr. Edgar Oliveira Sarmento Urologista e Andrologista · CRM-DF 21907 · RQE 19458

Médico formado em 2012, com Residências Médicas em Cirurgia Geral e Urologia e pós-graduação em Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva. Atua em Andrologia (a área que cuida da saúde do homem, com foco em sexualidade e infertilidade), com prática clínica orientada por evidências científicas.

Conteúdo escrito e revisado por médico · Atualizado em 10 Ago 2026

A varicocele não afeta só os espermatozoides. Ela também agride a fábrica de testosterona do testículo. Entenda o mecanismo, o que a cirurgia muda e por que hipogonadismo isolado não é indicação.

Em resumo

A varicocele é conhecida pelo impacto na fertilidade, mas ela também agride a produção de testosterona, porque o mesmo ambiente de calor e estresse oxidativo que prejudica os espermatozoides danifica as células de Leydig, responsáveis pelo hormônio. A correção cirúrgica tende a elevar a testosterona, com ganho maior em quem já parte de níveis baixos. Importante: testosterona baixa isolada, sem infertilidade nem alteração no espermograma, não é indicação cirúrgica estabelecida.

Quando falei sobre varicocele aqui no site, o foco foi a fertilidade, que é o motivo mais comum de investigação. Mas existe um segundo capítulo dessa história, muito menos comentado e que interessa a qualquer homem: a varicocele também mexe com a sua testosterona.

O testículo tem duas fábricas

Para entender, é preciso lembrar que o testículo faz duas coisas ao mesmo tempo. De um lado, produz espermatozoides. De outro, produz testosterona, e isso acontece nas chamadas células de Leydig. São compartimentos diferentes dentro do mesmo órgão.

A varicocele cria um ambiente hostil que atinge os dois: a estase do sangue nas veias dilatadas aumenta a temperatura escrotal e gera hipóxia e estresse oxidativo. Esse ambiente danifica as células de Leydig e inibe enzimas da via de produção hormonal. Ou seja, o mesmo mecanismo que prejudica o espermatozoide prejudica o hormônio.

O que os estudos mostram

Homens com varicocele clínica, aquela que se palpa no exame, tendem a apresentar testosterona mais baixa do que controles sem a condição. E, após a correção cirúrgica, séries mostram elevação dos níveis, com boa parte dos operados apresentando aumento.

O detalhe que mais importa na prática: o ganho depende do ponto de partida. Nos estudos em que a testosterona basal média era mais alta, não houve melhora mensurável; a melhora se concentrou nos homens que já partiam de níveis baixos. Quem tem testosterona normal tende a não ganhar nada com a cirurgia nesse aspecto.

Uma honestidade necessária sobre a evidência

Aqui preciso ser transparente, mesmo que isso torne o texto menos vendedor. Uma revisão que reuniu estudos de décadas não identificou ensaios clínicos randomizados sobre esse desfecho: a base é observacional e retrospectiva. E os próprios autores registram que o real benefício permanece incerto, orientando que o paciente não crie expectativas altas, já que uma elevação modesta da testosterona pode não se traduzir em melhora dos sintomas.

Por que eu não opero só por testosterona baixa

Essa é a pergunta que mais recebo desde que o assunto viralizou. A resposta responsável: as diretrizes da AUA em conjunto com a ASRM e as da EAU não estabelecem o hipogonadismo isolado como indicação de varicocelectomia. A indicação consolidada continua sendo varicocele palpável, somada a infertilidade e a alteração no espermograma.

Isso não quer dizer que a testosterona seja ignorada. Ela entra como fator adicional numa decisão individualizada, conversada caso a caso, e não como gatilho automático de cirurgia. Vale registrar que material da Sociedade Brasileira de Urologia sobre infertilidade conjugal menciona a dosagem baixa de testosterona dentro de um quadro que já inclui infertilidade, o que é uma redação um pouco mais permissiva, mas ainda dentro do contexto de infertilidade.

E a atrofia testicular?

A redução do volume do testículo do lado afetado é uma complicação reconhecida da varicocele clínica. Em adolescentes, a perda documentada de crescimento testicular em acompanhamento seriado com ultrassom é um dos critérios que pesam a favor da correção, justamente para proteger a função futura do órgão.


Se você tem varicocele e anda com sintomas de testosterona baixa, o caminho é avaliar o conjunto, e não partir direto para a cirurgia. Agende uma consulta e vamos analisar exame, exame físico e sintomas antes de qualquer decisão.

Perguntas frequentes

Varicocele derruba a testosterona?

Em média sim, nos casos de varicocele clínica, aquela que se palpa. Estudos comparativos mostram testosterona menor em portadores do que em controles. Isso não significa que todo homem com varicocele terá testosterona baixa: muitos mantêm níveis normais.

Por que ela afeta o hormônio, e não só o espermatozoide?

Porque o mesmo ambiente hostil atinge os dois compartimentos do testículo. A estase venosa aumenta a temperatura, gera hipóxia e estresse oxidativo, e isso inibe enzimas da via de produção hormonal. O testículo tem função dupla, e a varicocele agride as duas.

A cirurgia aumenta a testosterona?

Em média sim, com ganho relatado em análises agrupadas, e o efeito é bem maior em quem já partia de níveis baixos. Mas a evidência é observacional, sem ensaios randomizados, e quem tem testosterona normal tende a não ganhar nada mensurável.

Posso operar só porque minha testosterona está baixa?

Não como regra. As diretrizes internacionais não estabelecem hipogonadismo isolado como indicação de varicocelectomia. A indicação consolidada é varicocele palpável somada a infertilidade e alteração no espermograma. Testosterona baixa entra como fator adicional numa decisão individualizada.

Varicocele pode encolher o testículo?

Pode. A atrofia do lado afetado é uma complicação reconhecida, associada à varicocele clínica. Em adolescentes, a perda documentada de crescimento testicular em acompanhamento seriado é um dos critérios que pesam a favor da cirurgia.

Fontes e referências

Este conteúdo foi baseado em fontes médicas reconhecidas:

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

VaricoceleTestosteronaHipogonadismoAndrologia

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