Dr. Edgar Sarmento: monitoramento da reposição de testosterona em Brasília
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Reposição de testosterona: os efeitos colaterais reais e o que se monitora

8 min de leitura Por Dr. Edgar Sarmento
Dr. Edgar Oliveira Sarmento, Urologista e Andrologista

Dr. Edgar Oliveira Sarmento Urologista e Andrologista · CRM-DF 21907 · RQE 19458

Médico formado em 2012, com Residências Médicas em Cirurgia Geral e Urologia e pós-graduação em Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva. Atua em Andrologia (a área que cuida da saúde do homem, com foco em sexualidade e infertilidade), com prática clínica orientada por evidências científicas.

Conteúdo escrito e revisado por médico · Atualizado em 07 Ago 2026

Reposição bem feita é reposição acompanhada. Entenda os efeitos colaterais que existem de verdade, do sangue mais espesso à infertilidade, e qual é o calendário de exames do tratamento.

Em resumo

A reposição de testosterona tem efeitos colaterais previsíveis e, na maioria, manejáveis. O mais frequente é o aumento do hematócrito, ou seja, o sangue ficando mais espesso. Ela também suprime a produção de espermatozoides, com risco de infertilidade, e pode causar acne, retenção de líquido e piora de apneia do sono. Por isso o tratamento exige diagnóstico correto e acompanhamento regular, com reavaliação entre 3 e 6 meses e depois anual.

Já escrevi aqui sobre quando a reposição de testosterona é indicada e sobre o que o estudo TRAVERSE mostrou sobre o coração. Agora quero falar da parte que quase nenhum anúncio menciona: os efeitos colaterais e o acompanhamento. Porque reposição bem feita não é a que começa bem, é a que é bem monitorada.

O efeito mais comum: o sangue mais espesso

A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos. Em excesso, isso eleva o hematócrito, e sangue mais espesso significa mais risco de eventos trombóticos. A Sociedade Brasileira de Urologia alerta justamente para o risco de embolias associado à elevação da concentração de hemácias.

O limiar de intervenção mais consolidado durante o tratamento é o hematócrito acima de 54%: nesse cenário, suspende-se a terapia até a normalização, investiga-se causa de hipóxia como apneia do sono, e retoma-se em dose reduzida. Vale registrar uma divergência honesta: o limiar para iniciar o tratamento varia entre diretrizes, e por isso a conduta deve declarar qual referência está seguindo em vez de tratar um número como universal.

A supressão da fertilidade

Esse é o efeito que mais gera arrependimento quando não é conversado antes. A testosterona vinda de fora suprime os hormônios que estimulam o testículo, e com eles a produção própria de testosterona e de espermatozoides. O resultado pode ser atrofia testicular e infertilidade.

Por isso o desejo de ter filhos é contraindicação à reposição, e não um detalhe a resolver depois. Quem pretende engravidar deve conversar sobre isso antes de qualquer início, e existem estratégias de preservação da fertilidade que precisam ser discutidas no momento certo.

Os outros efeitos possíveis

  • Acne e pele oleosa: comuns, geralmente manejáveis com tratamento tópico.
  • Retenção de líquido: inchaço leve, principalmente em tornozelos.
  • Ginecomastia ou dor mamária: pela conversão de parte do androgênio em estrogênio.
  • Piora de apneia do sono: motivo pelo qual apneia grave não tratada é contraindicação.
  • Estímulo prostático: com possível elevação do PSA, o que exige acompanhamento.
  • Irritação de pele nas formulações tópicas, e risco de transferência por contato.

As contraindicações

A Sociedade Brasileira de Urologia aponta como contraindicações o câncer de mama, o câncer de próstata localmente avançado e o desejo de paternidade, recomendando avaliação prostática antes de iniciar. As diretrizes internacionais acrescentam alterações prostáticas não investigadas, hematócrito elevado, apneia obstrutiva grave não tratada e insuficiência cardíaca descompensada.

O calendário do acompanhamento

Aqui está o que separa tratamento de aventura. A avaliação clínica deve ocorrer entre 3 e 6 meses após o início e depois anualmente, checando resposta dos sintomas e efeitos adversos. O hematócrito é dosado antes de começar, na reavaliação inicial e depois de forma periódica. O PSA entra conforme a idade e o risco. E a testosterona é acompanhada para manter o nível dentro da faixa terapêutica, sem excessos.


Se você faz reposição e nunca repetiu exames, ou se pretende começar, essa é a conversa mais importante. Agende uma avaliação e vamos estruturar o acompanhamento do jeito certo.

Perguntas frequentes

A reposição de testosterona engrossa o sangue?

Sim, esse é o efeito mais comum. A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos e pode elevar o hematócrito. O limiar clássico de intervenção durante o tratamento é 54%: acima disso, suspende-se até normalizar, investiga-se apneia do sono e retoma-se em dose menor.

Quem quer ter filhos pode fazer reposição?

Não. A testosterona de fora suprime a produção de espermatozoides e pode levar a atrofia testicular e infertilidade. As diretrizes são diretas em não prescrever para quem está tentando engravidar, e o desejo de paternidade aparece como contraindicação.

De quanto em quanto tempo repito os exames?

A primeira reavaliação costuma ocorrer entre 3 e 6 meses do início, e depois passa a ser anual. Nela entram testosterona, hematócrito e PSA conforme a idade, além da checagem de sintomas e efeitos adversos.

A testosterona causa câncer de próstata?

As diretrizes não afirmam que a reposição cause câncer de próstata. O que elas estabelecem é que câncer de próstata ativo ou localmente avançado é contraindicação, que alterações prostáticas não investigadas contraindicam o início, e que a próstata deve ser avaliada antes e monitorada durante.

Posso usar implante hormonal (chip) no Brasil?

A Sociedade Brasileira de Urologia afirma que implantes subdérmicos não são autorizados pela ANVISA e não têm comprovação científica para essa indicação. A entidade também esclarece que não existem especialidades reconhecidas em reposição hormonal ou antiaging.

Fontes e referências

Este conteúdo foi baseado em fontes médicas reconhecidas:

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

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