
O medo de que repor testosterona ataca o coração é antigo. O estudo TRAVERSE, com mais de 5 mil homens, trouxe a resposta. Entenda o que a ciência diz sobre testosterona, reposição e saúde cardiovascular.
A testosterona baixa se associa a maior risco de síndrome metabólica, diabetes e mortalidade cardiovascular, então costuma andar junto de um metabolismo ruim. O grande estudo TRAVERSE (2023), com mais de 5 mil homens com deficiência comprovada e alto risco cardíaco, mostrou que repor testosterona não aumentou infarto nem AVC. Ainda assim, a reposição exige indicação correta e acompanhamento, e não serve para turbinar o coração de quem já tem testosterona normal.
Durante anos, muitos homens (e até médicos) tiveram medo de uma coisa: a reposição de testosterona atacaria o coração. Esse receio afastou do tratamento gente que realmente precisava. Mas a ciência não para, e um estudo gigante veio justamente para responder essa pergunta. Vou te contar o que ele mostrou.
A testosterona baixa já é um sinal de alerta
Antes de falar da reposição, um ponto que pouca gente sabe: a própria testosterona baixa se associa a mais síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e maior mortalidade cardiovascular. Em um estudo com homens diabéticos, a mortalidade foi de 17,2% entre os que tinham testosterona baixa, contra 9,0% entre os que tinham níveis normais. Ou seja, testosterona baixa costuma ser o retrato de um metabolismo em apuros.
O estudo que mudou o jogo: TRAVERSE
Publicado em 2023, o TRAVERSE acompanhou mais de 5 mil homens com deficiência de testosterona confirmada e alto risco cardiovascular. O resultado foi claro: os eventos cardíacos graves (infarto, AVC e morte cardiovascular) aconteceram em 7,0% no grupo que usou testosterona, contra 7,3% no placebo. Na prática, a reposição não aumentou esses eventos. O medo antigo não se confirmou.
Isso não quer dizer que a reposição seja isenta de riscos. O próprio TRAVERSE mostrou mais fibrilação atrial, embolia pulmonar e fraturas no grupo que usou testosterona. A mensagem certa é: seguro quando bem indicado e acompanhado, não seguro para sair usando por conta própria.
Vale só para quem tem deficiência de verdade
Esse é o detalhe que separa a medicina séria do marketing. A tranquilidade do TRAVERSE vale apenas para homens com sintomas e testosterona baixa confirmada (abaixo de 300 ng/dL em duas dosagens pela manhã). Ela não autoriza ninguém a usar testosterona só para turbinar energia ou desempenho tendo nível normal. Sem deficiência, é risco sem benefício.
O que eu monitoro durante o tratamento
Reposição bem feita é reposição acompanhada. Eu monitoro, entre outras coisas, o nível de testosterona (mirando uma faixa em torno de 350 a 750 ng/dL) e o hematócrito, que deve ficar até cerca de 54% para o sangue não ficar espesso demais (policitemia). É esse cuidado que torna o tratamento seguro.
Se você tem sintomas de testosterona baixa e ficava com medo por causa do coração, essa é a hora de investigar com segurança. Agende uma avaliação e vamos cuidar do seu hormônio e do seu coração juntos, com base em ciência.
Perguntas frequentes
Repor testosterona faz mal ao coração?
No maior estudo já feito (TRAVERSE), em homens com deficiência comprovada e alto risco cardiovascular, a reposição não aumentou infarto, AVC ou morte cardiovascular em relação ao placebo (7,0% contra 7,3%). O medo antigo não se confirmou nesse cenário.
Então a reposição é totalmente sem riscos?
Não. O próprio TRAVERSE mostrou mais fibrilação atrial, embolia pulmonar e fraturas no grupo que usou testosterona. Por isso ela exige indicação correta e acompanhamento, não é um tratamento livre de efeitos.
Ter testosterona baixa é ruim para o coração?
A testosterona baixa se associa a síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e maior mortalidade cardiovascular. Muitas vezes ela é um sinal de que o metabolismo do homem não vai bem.
Posso usar testosterona só para ter mais disposição, mesmo com nível normal?
Não. A segurança do TRAVERSE vale apenas para homens com sintomas e testosterona baixa confirmada em dois exames matinais. Usar sem deficiência não tem respaldo e expõe a riscos sem benefício comprovado.
Que exames o médico acompanha durante a reposição?
Entre outros, o nível de testosterona (alvo em torno de 350 a 750 ng/dL) e o hematócrito, que deve ficar até cerca de 54% para evitar o sangue ficar espesso demais. O acompanhamento é periódico.
Fontes e referências
Este conteúdo foi baseado em fontes médicas reconhecidas:
- The New England Journal of Medicine: estudo TRAVERSE (segurança cardiovascular, 2023)
- Cleveland Clinic: TRAVERSE e a segurança cardiovascular da testosterona
- PubMed/PMC: testosterona e síndrome metabólica
- PubMed/PMC: testosterona e diabetes tipo 2 em homens
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
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