Dr. Edgar Sarmento: impacto de álcool, cigarro e drogas na performance sexual
Voltar para o site Saúde Sexual

Álcool, cigarro e drogas: o estrago real na sua performance sexual

8 min de leitura Por Dr. Edgar Sarmento
Dr. Edgar Oliveira Sarmento, Urologista e Andrologista

Dr. Edgar Oliveira Sarmento Urologista e Andrologista · CRM-DF 21907 · RQE 19458

Médico formado em 2012, com Residências Médicas em Cirurgia Geral e Urologia e pós-graduação em Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva. Atua em Andrologia (a área que cuida da saúde do homem, com foco em sexualidade e infertilidade), com prática clínica orientada por evidências científicas.

Conteúdo escrito e revisado por médico · Atualizado em 21 Ago 2026

Fumar aumenta em cerca de 50% o risco de disfunção erétil, e parar melhora a ereção em poucas semanas. Entenda o que o álcool, o cigarro e as drogas fazem com a ereção, o hormônio e a fertilidade.

Em resumo

Cigarro, álcool em excesso e drogas recreativas atacam a ereção por três caminhos somados: dano nos vasos, queda da testosterona e depressão do sistema nervoso. O tabagismo tem a evidência mais sólida, com risco de disfunção erétil cerca de 50% maior no fumante atual, e também a melhor notícia: parar de fumar melhora a função erétil de forma mensurável, com ganho detectável já nos primeiros dias.

Quando eu pergunto sobre cigarro, bebida e drogas na consulta, muito paciente acha que é só protocolo. Não é. Esses três hábitos estão entre os fatores que mais impactam a performance sexual masculina, e o melhor de tudo é que, diferente da idade, eles são modificáveis.

Este texto complementa o que escrevi em como aumentar a testosterona naturalmente, agora olhando para o outro lado da equação: o que derruba.

Cigarro: o inimigo com evidência mais sólida

A ereção depende de sangue chegando. E o cigarro ataca exatamente isso. Como resume a Sociedade Brasileira de Urologia, fumar aumenta a chance de aterosclerose nas artérias, com obstrução do fluxo sanguíneo para órgãos-chave, principalmente a artéria peniana, o que impede uma ereção rígida.

Os números confirmam. Uma metanálise com mais de 28 mil participantes encontrou risco de disfunção erétil cerca de 50% maior no fumante atual em comparação com quem nunca fumou, e ainda um risco residual nos ex-fumantes.

A boa notícia, e ela é forte: parar de fumar melhora a ereção. Um estudo com monitorização noturna registrou melhora significativa da rigidez já após 24 horas sem fumar. Em série publicada no International Braz J Urol, os escores de função erétil subiram de forma significativa em todas as faixas de 30 a 60 anos, e cerca de 1 em cada 4 homens melhorou de categoria.

Álcool: a dose e o tempo fazem o veneno

Aqui preciso ser preciso em vez de alarmista. O dano bem documentado está no consumo crônico pesado e na dependência: nesses grupos, a disfunção sexual atinge uma parcela muito grande dos pacientes, com queda de desejo, disfunção erétil e alterações da ejaculação. O mecanismo envolve supressão do eixo hormonal, levando a menos testosterona.

Por outro lado, uma análise que agrupou 17 estudos não encontrou efeito significativo do consumo de álcool em geral sobre a testosterona. Ou seja, o risco escala com a dose e com o tempo. Isso não autoriza a leitura de que beber é inofensivo, porque o álcool também eleva a pressão e piora o perfil cardiovascular, que são fatores de risco reconhecidos para a ereção.

Maconha e cocaína

Sobre a maconha, a resposta honesta é que existe associação descrita entre uso e disfunção erétil, mas a causalidade não está estabelecida. Os estudos disponíveis são poucos, com amostras pequenas, grande variação entre eles e possibilidade de causalidade reversa. É um sinal que merece conversa, não uma sentença.

Já a cocaína tem um padrão clássico e cruel. Por agir na dopamina, pode dar a impressão inicial de intensificar a resposta sexual. Mas o uso crônico inverte o quadro: a maioria dos usuários de longo prazo relata dificuldade de obter ereção, com queda de desejo e ejaculação retardada. Há ainda risco de priapismo, a ereção prolongada que é emergência.

E a fertilidade?

Para quem planeja ter filhos, o cigarro tem efeito medido e dose-dependente sobre o sêmen: metanálise publicada na European Urology mostrou redução da concentração de espermatozoides, da motilidade e da morfologia normal em fumantes, com impacto maior em fumantes moderados e pesados e em homens que já têm alteração seminal.

Até onde dá para reverter

Aqui vale o realismo. Essas substâncias podem causar dano vascular severo, e nos casos mais avançados a disfunção pode não reverter por completo. A idade e a gravidade do quadro no momento em que a pessoa para são inversamente proporcionais ao ganho esperado. Traduzindo: quanto mais cedo você parar, mais você recupera.


Se você fuma, bebe demais ou usa alguma substância e percebeu mudanças na sua vida sexual, essa é a hora de agir, e não de se culpar. Agende uma avaliação e vamos montar um plano realista para o seu caso.

Leia também: Diabetes e saúde sexual: por que o açúcar alto derruba a ereção e a testosterona · Ejaculação precoce: a queixa sexual mais comum do homem e a mais cercada de mitos · Ansiedade de desempenho: quando o medo de falhar vira a própria causa da falha

Perguntas frequentes

Parar de fumar melhora mesmo a ereção, ou o dano já está feito?

Melhora, e mais rápido do que se imagina. Um estudo com monitorização noturna registrou melhora significativa da rigidez já após 24 horas sem fumar, e uma série brasileira mostrou aumento significativo dos escores de função erétil após a cessação, com cerca de 1 em cada 4 homens melhorando de categoria.

Beber socialmente atrapalha ou só o alcoolismo?

A evidência forte de dano está no consumo crônico pesado e na dependência, onde a disfunção sexual chega a taxas muito altas. Uma análise agrupada não encontrou efeito significativo do consumo em geral sobre a testosterona. Isso não torna o álcool neutro, porque ele também piora pressão e perfil cardiovascular.

Maconha causa impotência?

Existe associação descrita na literatura, mas a causalidade não está estabelecida. Os estudos disponíveis são poucos, com amostras pequenas e alta variação entre eles, e há a possibilidade de causalidade reversa. É um sinal a considerar, não uma sentença.

Cocaína não melhora o desempenho?

Essa é a armadilha. No começo pode dar essa impressão, mas o uso crônico reverte o quadro: a maioria dos usuários de longo prazo relata dificuldade de obter ereção, com queda de desejo e ejaculação retardada. Há ainda risco de priapismo.

E se o objetivo for engravidar?

O cigarro tem efeito medido e dose-dependente sobre o sêmen, com redução da concentração, da motilidade e da morfologia normal dos espermatozoides. O efeito é maior em fumantes moderados e pesados e em homens que já têm alteração seminal.

Fontes e referências

Este conteúdo foi baseado em fontes médicas reconhecidas:

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

TabagismoÁlcoolPerformance sexualDisfunção erétil

Quer conversar comigo sobre esse assunto?

Atendo presencialmente em Brasília e em consultas online. Avalio cada caso de forma individual, com base em evidências e foco em resultado real.

Agendar consulta

@Power - Direitos reservados 2025 - Criado por Wisa 💬

Clique para agendar
Botão Whatsapp