Dr. Edgar Sarmento — tratamento da Doença de Peyronie (curvatura peniana)
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Doença de Peyronie: a curvatura peniana que tem tratamento (e não é frescura)

8 min de leitura Por Dr. Edgar Sarmento
Dr. Edgar Oliveira Sarmento — Urologista e Andrologista

Dr. Edgar Oliveira Sarmento Urologista e Andrologista · CRM-DF 21907 · RQE 19458

Médico formado em 2012, com Residências Médicas em Cirurgia Geral e Urologia e pós-graduação em Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva. Atua em Andrologia — a área que cuida da saúde do homem, com foco em sexualidade e infertilidade —, com prática clínica orientada por evidências científicas.

Conteúdo escrito e revisado por médico · Atualizado em 04 Mai 2026

A curvatura acentuada do pênis tem causa, nome e tratamento. Entenda a Doença de Peyronie, por que ela aparece e quais as opções para recuperar função e confiança.

Em resumo

A Doença de Peyronie é uma condição médica real, causada por placas de tecido cicatricial (fibrose) na túnica que envolve os corpos cavernosos do pênis, levando a curvatura, encurtamento, dor e, muitas vezes, dificuldade na relação. Não é 'frescura' nem deformidade incurável: tem diagnóstico definido e várias opções de tratamento clínico e cirúrgico. Estima-se que afete de 3% a 9% dos homens, com idade média de diagnóstico em torno dos 55 anos.

Notar que o pênis passou a entortar de forma acentuada durante a ereção, muitas vezes com dor e dificuldade na relação, gera angústia e silêncio. Esse quadro tem nome: Doença de Peyronie. E, ao contrário do que muitos pensam, não é 'frescura' nem algo que se deva apenas aceitar — é uma condição médica real, com tratamento.

Neste texto explico o que causa a curvatura, como ela evolui, quando procurar ajuda e quais as opções terapêuticas que utilizo para devolver função e confiança ao paciente.

O que é a Doença de Peyronie

A Peyronie ocorre quando se forma uma placa de tecido fibroso (cicatricial) na túnica que envolve os corpos cavernosos do pênis. Esse tecido endurecido não acompanha a expansão durante a ereção, o que provoca a curvatura — além de poder causar dor, encurtamento e até disfunção erétil.

Na maioria das vezes está associada a microtraumas durante a relação sexual (muitas vezes imperceptíveis), com predisposição individual. Pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum a partir dos 40-50 anos. Há associação importante com o diabetes mal controlado e com a disfunção erétil — relatada em até metade dos pacientes.

As duas fases da doença

  • Fase aguda (inflamatória): dura de 6 a 18 meses. Marcada por dor e mudança progressiva da curvatura. É a janela ideal para tratamentos clínicos.
  • Fase crônica (estável): a placa se estabiliza, a dor costuma desaparecer e a curvatura se fixa. Aqui, quando há prejuízo importante, a cirurgia entra em discussão.

Procurar ajuda cedo faz diferença. Na fase inflamatória, há mais chance de controlar a progressão com tratamento clínico — e evitar deformidades maiores.

As opções de tratamento

  • Tratamento clínico: as injeções de colagenase (Clostridium histolyticum) na placa têm a melhor evidência para curvaturas acima de 30° (não indicadas para curvaturas muito acentuadas, placas ventrais ou na fase aguda). A tração peniana e o dispositivo de vácuo podem ajudar a reduzir a deformidade, isolados ou em combinação.
  • Importante sobre ondas de choque: ao contrário do que muito se divulga, SBU e EAU não indicam ondas de choque para corrigir a curvatura da Doença de Peyronie — elas podem, no máximo, ajudar na dor em casos selecionados.
  • Tratamento cirúrgico: reservado para a fase estável (doença sem alteração há pelo menos 3 meses), com curvaturas que impedem a relação. As técnicas incluem plicatura, incisão/excisão da placa com enxerto e, quando há disfunção erétil refratária associada, o implante de prótese peniana — que corrige curvatura e ereção ao mesmo tempo.

Curvatura peniana acentuada não é algo com que você precise conviver em silêncio. Quanto antes avaliamos, mais opções existem. Agende uma consulta e vamos definir, juntos, o melhor caminho para o seu caso.

Perguntas frequentes

A Doença de Peyronie tem cura ou desaparece sozinha?

Casos leves podem melhorar, mas a regressão espontânea de curvaturas acentuadas é rara (cerca de 3% na fase aguda). A maioria dos casos exige acompanhamento e tratamento com urologista, e a curvatura pode até piorar sem tratamento.

Quais são os principais sintomas?

Curvatura do pênis (para cima, para baixo ou para o lado), nódulo ou placa palpável, encurtamento, dor na ereção e dificuldade na penetração. Os sintomas podem surgir de forma lenta ou súbita.

Qual é a causa da curvatura peniana?

A causa exata é desconhecida, mas a hipótese mais aceita envolve microtraumas repetidos no pênis que cicatrizam de forma anormal. Há associação com predisposição genética, diabetes mal controlado e disfunção erétil.

Ondas de choque curam a curvatura peniana?

Não. A Sociedade Brasileira de Urologia e a EAU afirmam que não há indicação de ondas de choque para corrigir a curvatura da Doença de Peyronie — no máximo, podem ajudar na dor em casos selecionados, sem desentortar o pênis.

Quando a cirurgia é indicada?

Apenas na fase crônica, com a doença estável por pelo menos 3 meses e curvatura que atrapalha a relação. As opções incluem plicatura, enxerto e, quando há disfunção erétil refratária associada, o implante de prótese peniana.

Fontes e referências

Este conteúdo foi baseado em fontes médicas reconhecidas:

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

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