Dr. Edgar Sarmento — tratamento de andropausa e DAEM em Brasília
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Andropausa (DAEM): o declínio da testosterona não precisa ser aceito como destino

8 min de leitura Por Dr. Edgar Sarmento
Dr. Edgar Oliveira Sarmento — Urologista e Andrologista

Dr. Edgar Oliveira Sarmento Urologista e Andrologista · CRM-DF 21907 · RQE 19458

Médico formado em 2012, com Residências Médicas em Cirurgia Geral e Urologia e pós-graduação em Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva. Atua em Andrologia — a área que cuida da saúde do homem, com foco em sexualidade e infertilidade —, com prática clínica orientada por evidências científicas.

Conteúdo escrito e revisado por médico · Atualizado em 01 Jun 2026

A queda hormonal do homem maduro tem nome, diagnóstico e tratamento. Entenda o que é o DAEM, como diferenciá-lo do envelhecimento normal e por que tantos homens sofrem sem saber.

Em resumo

A andropausa — termo mais corretamente chamado de DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino) — é a queda gradual da testosterona que afeta parte dos homens, sobretudo após os 40 anos, quando o declínio gira em torno de 1% ao ano. Diferente da menopausa feminina, não há uma parada hormonal abrupta. A reposição só é indicada quando há sintomas clínicos E testosterona baixa confirmada em exame — nunca por um dos dois isoladamente.

Muita gente conhece a menopausa feminina, mas pouca gente sabe que o homem também passa por um declínio hormonal com o avançar da idade. Esse processo tem nome técnico: DAEM — Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino, popularmente chamado de andropausa. A diferença é que, no homem, a queda é gradual e silenciosa — e justamente por isso costuma ser confundida com 'cansaço da vida' ou 'coisa da idade'.

Neste texto vou explicar o que de fato acontece com a testosterona ao longo dos anos, quais sintomas merecem atenção, como faço o diagnóstico correto e por que o DAEM não precisa ser aceito passivamente como um destino inevitável.

O que é o DAEM

A partir dos 40 anos, a produção de testosterona do homem cai, em média, cerca de 1% ao ano (Sociedade Brasileira de Urologia). Esse declínio é fisiológico e lento. O problema surge quando ele se acentua e os níveis ficam baixos o suficiente para gerar sintomas — é aí que falamos em DAEM, ou hipogonadismo de início tardio. Estima-se que o hipogonadismo sintomático atinja entre 2% e 6% dos homens de 40 a 79 anos (European Male Ageing Study).

É importante entender: nem todo homem mais velho desenvolve DAEM. Estilo de vida, obesidade, diabetes, distúrbios do sono e estresse crônico aceleram muito esse processo. Por isso, frequentemente, tratar o DAEM passa também por corrigir hábitos.

Sintomas que não devem ser ignorados

  • Queda de libido e do desejo sexual espontâneo.
  • Disfunção erétil e redução das ereções matinais.
  • Cansaço persistente e queda de disposição, mesmo com sono adequado.
  • Perda de massa muscular e ganho de gordura abdominal.
  • Irritabilidade, desânimo e sensação de 'névoa mental'.
  • Distúrbios do sono e redução da densidade óssea.

Sintomas isolados não fazem diagnóstico. É a combinação de queixas clínicas com a confirmação laboratorial que define o DAEM — nunca um exame solto, nem um sintoma sozinho.

Como faço o diagnóstico

O diagnóstico exige, no mínimo, duas dosagens de testosterona total colhidas pela manhã (entre 7h e 11h), em jejum, em dias diferentes — complementadas por testosterona livre, SHBG, LH, FSH, prolactina, estradiol, TSH, hemograma e perfil metabólico. A American Urological Association adota como referência o valor de testosterona total abaixo de 300 ng/dL, sempre confirmado em duas medições. Só com esse conjunto, somado à avaliação clínica, é possível afirmar que existe deficiência hormonal e indicar tratamento.

Tratamento: muito além de 'repor hormônio'

Quando há de fato deficiência, a reposição hormonal devolve qualidade de vida de forma transformadora. Mas o tratamento começa pela base: sono, atividade física, controle de peso e dos fatores metabólicos. Em muitos casos, corrigir esses pilares já eleva a testosterona de forma natural. A reposição, quando indicada, é sempre acompanhada de perto, com monitoramento periódico.

No Brasil, as vias de reposição aprovadas pela ANVISA são a testosterona injetável e o gel transdérmico. É importante saber que a Sociedade Brasileira de Urologia alerta que os implantes hormonais subdérmicos ("chips") não são aprovados pela ANVISA para essa finalidade e carecem de respaldo científico. São contraindicações formais à reposição: câncer de mama, câncer de próstata localmente avançado, desejo de paternidade e hematócrito elevado.

Durante anos houve receio de que a reposição aumentasse o risco cardíaco. O estudo TRAVERSE (2023), com 5.246 homens, mostrou que a reposição bem indicada não aumentou os eventos cardiovasculares maiores — embora exija atenção a arritmias, como a fibrilação atrial. Reforça a regra de ouro: boa indicação + bom acompanhamento.


Envelhecer é inevitável. Aceitar o cansaço, a perda de libido e o desânimo como se nada pudesse ser feito, não. Se você se reconheceu nos sintomas, agende uma avaliação — o caminho de volta à vitalidade costuma ser mais curto do que parece.

Perguntas frequentes

A queda de testosterona pela idade já significa que preciso de reposição?

Não. O tratamento só é indicado quando há sintomas E níveis baixos confirmados em exame. Testosterona baixa sem sintomas, ou sintomas sem confirmação laboratorial, não justificam a reposição isoladamente.

Reposição de testosterona causa câncer de próstata?

Pela evidência atual, a reposição com níveis fisiológicos não aumenta o risco de câncer de próstata. Ainda assim, a avaliação prostática prévia é obrigatória, e câncer de próstata localmente avançado é contraindicação.

A testosterona pode me deixar infértil?

Sim. A reposição suprime a produção própria de espermatozoides e pode causar infertilidade, às vezes prolongada. Por isso, o desejo de ter filhos é uma contraindicação formal ao tratamento.

Andropausa é igual à menopausa da mulher?

Não. Na mulher há interrupção hormonal relativamente abrupta; no homem o déficit é gradual e parcial. Por isso o termo tecnicamente correto é DAEM, e não 'andropausa'.

Qual o melhor horário para medir a testosterona?

Pela manhã, entre 7h e 11h, em jejum. Um resultado baixo deve ser confirmado em uma segunda coleta, também matinal, antes de fechar o diagnóstico.

Fontes e referências

Este conteúdo foi baseado em fontes médicas reconhecidas:

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

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